domingo, 29 de novembro de 2009

para constar.

Que vem para desestabilizar.

É a figura daquilo que desordena, e trata logo então de mudar todo o sistema.
Porque para desestabilizar não há protocolo, apenas a vontade berrante de destruir.

E para desfazer é muito mais fácil do que fazer... Basta um pouco mais de maldade, um pouco mais de malícia.

sábado, 28 de novembro de 2009

Opostos.

Tenho um lado tão calculista que volta e meia trata de me assustar, um lado tão frio que o Polo-Norte iria parecer Rio de Janeiro 40°.
E é nesse lado que eu encontro a minha maldade, as minhas ideias mais perversas.

Mas isso não é muito, não é especial.
O seres humanos não são divididos em hérois e vilões, cada um de nós possui esses lados, só que apenas uma pequena parte trata de escolher sempre por aquela voz que grita insistentemente na nossa mente, e a deixa se expressar, deixa transparecer.

Eu também tenho um lado bom, e em quase 90% do tempo é ele que fala. Porque é mais ético, e muito mais "humano". E é por isso que continuamos fingindo que não existe uma voz nos estimulando a fazer o "errado", porque as regras foram estipuladas, e agir de outra forma parece sempre muito sujo e mundano.

Os conceitos foram formados, as regras estipuladas, e só temos noção dessas coisas porque assim nos foram ditas. Por isso calamos essa voz, esquecemos, e fingimos que só o lado bom está falando, porque mesmo quando trememos na base, quando quase somos dominados por esse lado tão frio, nós sorrimos e fingimos que nossos pensamentos são otimistas, sempre.

Porque no final das contas, não queremos acreditar que podemos ser tão monstruosos de pensar algo do gênero ( segundo as regras).

Imagine então, se os pensamentos fossem sempre em voz alta...

10:56

Por isso, sou essa carcaça, que anda por aí tapando os próprios buracos com a mão, para que os bons sentimentos não voem no ar, feito papel, feito o próprio ar.

"au revoir!"

Carta ao coração.

Excelentíssimo Sr. Amor,

Gostaria de notificar que o envio do pacote enviado neste ano foi falho, talvez tenha sido extraviado e destinado para algum país distante, tal como a Sibéria.
Agradeço sua paciência, mas parece que há algum problema com seu sistema de envio, já que há 18 anos a coisa não funciona direito.

Grato,

Humildemente, André.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

de todo o mal.

E o que se faz quando o mal está dentro da sua própria casa?
Uma dor inevitável, um problema que está fora do seu controle, que permanece grudado em seu corpo, grudado na sua vida.

Você estabelece as suas metas, faz os seus esquemas, constrói um plano... Até que tudo isso seja destruído.

P.

Quanto barulho, meu Deus!
Não consigo ouvir meus próprios pensamentos...

Volte mais tarde.

Possibility.

Eu nunca me imaginei forjando ser o que não sou.
Meu pai me ensinou desde muito cedo que mentira é algo muito feio. Assim como me ensinou que existem consequências, e que cada ato meu vai ser responsabilidade totalmente minha.
Foi assim que aprendi que independente do desafio, eu tenho que manter minha cabeça erguida, mesmo que pareça impossível de se fazer.

Foi seguindo esse raciocínio que eu aprendi a assumir tudo aquilo que fiz ou farei.
E transformar em realidade aquilo que me foi imposto pelo destino.

Lá fora eu descobri que não existe uma ou duas pessoas que tem como objetivo nos desvirtuar, mas sim que existe uma selva cheia delas. E que de vez em quando vai parecer até irritante, porque elas estarão em cada esquina, em cada curva.
Mas sabe onde fica a parte boa disso tudo? É que no final das contas, depois de tanto tempo, você olha pro lado se dá conta de que elas não conseguiram. Porque você ainda está aqui, você ainda pode sorrir, e você ainda pode ser feliz.

E se sua cabeça se dá a pensar em tudo aquilo que lhe foi feito, do mal, das tristezas, das palavras que não foram medidas, é melhor você entender que no final das contas quem está rindo é você. Porque, finalmente, encontrou em si mesmo a realidade do seu próprio ser.

E se você não encontrava um rumo, uma recompensa por essa luta, aí está, um motivo infinito para continuar a erguer a cabeça, e falar para todo mundo que você realmente está aqui.

É... Eu nunca me imaginei forjando ser o que não sou.
E me desculpe os que discordam, mas é muito melhor quando você sorri sem preocupação, porque você não anda fingindo ou mentindo sobre si mesmo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

nota.

Te olhar hoje é como notar um quadro vazio.
Possíveis interpretações, possíveis percepções.

Essa ferida aberta, que por enquanto, trata de esquecer o seu rosto.

Até mais, meu amor. ~
Se for se aproximar, avise.
Se for falar espere a pausa.
Se for gritar me esqueça.

Se for olhar, sorria.
Se for mentir, sinta vergonha.

Entenda meu corpo, desvende meus mistérios, repare nos sinais, e saiba quando um abraço for necessário.

Doer dói em silencio.
Minha dor é muda, feito porta, feito corrimão.


Sensibilidade, e é tudo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

23:01. O quê?

Vazio, no momento o toque despedaça os olhos.
Na alma a criança chora, lá fora o homem grita.
Na calmaria das horas as cores vão perdendo o tom, e nas horas vão perdendo o dom.

De tantas faces que não se pode escolher, de tantas dores que não se pode descrever.
Dentro há um poço vazio, o toque de uma gota no chão, o barulho oco, que no eco estronda o horror de um show sem muito sucesso, sem muito glamour.

De tantos casos, o acaso, quem sabe um descaso, para entender que nem sempre há explicação, nem história, nem magia, naquilo que muito planejamos.
Você vira a rua, escolhe a esquina, imagina a visão, mas de repente se dá conta de que nada mais existe. A música no ouvido te diz coisas que você queria acreditar, e instiga o seu inconsciente a se envenenar da droga da ilusão.

Os encontros existem, os momentos também.
Mas nada disso garante que sejam frequentes, nada disso os garante a você.
E talvez seja apenas para provar, sem compromisso, que não importa o que a mente quer entender, existe apenas por vontade do seu dono, do acaso, do destino.

Os momentos existem, a magia também.
Mas nada garante, não está escrito, não está previsto.

Talvez naquela rua, correndo na chuva, talvez você encontre um sorriso, um abraço, uma paixão.
Talvez procurando um táxi você encontre o amor, ou quem sabe esbarre e derrube os livros, os documentos, quem sabe assim um toque seja o suficiente para encantar. Quem sabe...

Mas é entendendo assim que nos damos conta de que talvez tudo isso seja obra do acaso, e que o destino é o ladrão nada honesto que rouba todo o crédito.

Por fim, defendo nesta hora o acaso, que enganado foi.
Estamos andando em todas as direções, e quem sabe, quem sabe, possamos esbarrar com alguém que seja capaz de compartilhar um pouco dessa rara e curta trajetória.
O destino foi o farsante desse episódio, tratando de fazer seu sucesso em cima daquilo que pertencia ao acaso.

E se assim for, entendo que nossa história se faz fruto de uma caminhada, que não se estrutura de um caminho já traçado, mas sim de uma caminhada feita com esforço e dedicação.
E talvez, talvez, os prêmios dos nossos caminhos estejam esperando pelo nosso esforço em caminhar de forma descente e honesta.

Então faço desse o meu tema, o norte dessas palavras tão perdidas e embaraçadas.
Dessa vida bandida e cigana, e de todas as outras tribos que possam se interessar.
A vida é do acaso, e é para ele que o prêmio vai.

No final das contas, depois de muito entender, nos damos conta de que nada dependia das linhas, mas sim do lápis.
Os momentos existem, a magia também, mas tudo depende daquilo que você constrói, enquanto as palavras vão ficando soltas como tudo aquilo que permanece lá fora, tudo vai se embaralhando até que você merece, você chegou.
Um esbarrão, um encontro, é o fim, o começo, quem sabe...

Você merece, você escreve, você entende.

O destino, grande sacana, enganando aqueles que entendem de ilusão.


Sobre desentender. Distorcer.




mano velho.

É olhando para o lado que eu identifico um momento de produção inútil.
Procurando no vazio de uma lâmpada uma ideia adequada para descrever.

O óculos torto, o olhar aflito.
O vazio na página, o coração sem sinal algum.

Três palavras e já não há nexo.
Tento mais vezes, apago o dobro e esqueço na metade.
Um bloqueio, um momento.

No relógio já diz que é tarde... tarde quanto?
Um conceito tão vazio e sem respostas.
Não é tarde até que se ache, e então, torna-se um conceito individual.

Tarde até quando?
Quando na verdade pode ser cedo demais para desistir.
Esse texto não deveria existir, essa temática não deveria existir, mas ela existe porque eu esperei até mais tarde do que deveria esperar.

É pessoal, e não se deve dizer a ninguém sobre o quanto pode estar cedo, ou tarde.
Eu entendo o meu tempo, entendo os meus horários, e provavelmente já saberei da minha capacidade, ou da falta dela.

Então, talvez seja por isso que velhice é uma questão de entender. Só é tarde quando se deixa acreditar, e por isso, aqueles que entendem e absorvem tal informação no começo, logo se tornam velhos na alma, velhos na essência. Esses, os que aceitam, jamais entenderão o valor de mais um tempo. Aqueles que relutam, se esforçam e questionam o conceito, tornam-se entendidos daquilo que para tantos outros se tornou cego e desconhecido. Negando a acomodação que vem com esse conceito é que você aprende que não é tarde, e não é cedo demais. Talvez seja apenas a hora certa, para entender e mudar, para lutar e amar.

Quando é tarde?
Quando na verdade esse texto nem deveria existir.

É apenas um começo, quando para você existe uma hora certa.

Não é tarde, e talvez não seja tão cedo assim.
É apenas tempo, empilhado no quintal.
Apenas tempo, apenas muito tempo.
E então não é tarde, é apenas a hora de começar.

[...]

00:23
Esse é o espaço destinado para me descrever neste exato momento.








[...]

Boa noite!

domingo, 8 de novembro de 2009





Little Joy.

"Tempo a gente tem quanto a gente dá, corre o que correr, custa o que custar.
Tempo a gente dá, quanto a gente tem, custa o que correr, corre o que custar.

O tempo que eu perdi, só agora eu sei,
aprender a dar, foi o que ganhei. E ando ainda atrás, desse tempo ter, pude não correr, e ele me encontrar.

Não se mexer... beija-flor no ar

O rio fica lá, a água é que correu, chega na maré, ele vira mar.
Como se morrer fosse desaguar, derramar no céu, se purificar.

Deixa pra trás, sais e minerais.

Evaporar."

~

Antes de dormir.

O tempo vai passando, passando... E passa sempre cada vez mais rápido.
Até que nos damos conta de que uma grande parte da nossa vida já se foi.

Grandes conquistas, grandes mudanças, grandes histórias.
Seu mundo se modificou desde então, e hoje você já não reconhece o menino de ontem.
Tornou-se um homem, cresceu e já pode falar em voz alta, porque você é responsável pelos seus atos.

Olhando as fotos, as recordações, você se dá conta de que não entende mais aquilo que lhe afligia num certo tempo atrás, você sorri, e guarda na caixa aquelas coisas que não possuem mais o mesmo valor.
Você não se sente mais englobado naquelas situações, e brinca, pois agora você já possui uma nova ocupação.

O tempo se esvaiu entre os seus dedos, e é inevitável a sensação do que não pode ser recuperado.
A infância já se foi, e junto com elas as brincadeiras, a inocência e a vontade de crescer.
Você já não é um pré-adolescente, e não possui mais a vontade insaciável de conhecer.
Sua adolescência se foi, tão pouco tempo atrás, e agora nem isso você pode ter de volta.

Nem o tempo mais recente, nem as histórias mais quentes.
Você não pode trazer nada de volta, porque o rio segue o seu destino.

Água esvaindo entre os dedos, o tempo que não voltará.
Você hoje é um homem, e isso parece muito excitante... Mas você não esquece, você não apaga quem já foi. Porque é aí que está a sua base, sua estrutura, guardadas nas lembranças que o tempo tratou de cuidar.

Guardados na caixa, empoeirados, mas ainda assim, essenciais.

Você sente falta de quem foi, mas se tornou adulto, e no final das contas a vida tomou seu rumo, e o ciclo natural se completou. É hora de responder pelos seus atos, gritar quando for preciso, e tomar suas próprias decisões.

Play Game.